quinta-feira, 4 de junho de 2026

Iamuricumá

 



O movimento feminista das índias xinguanas, "Iamuricumá", segundo a lenda, surgiu com as belicoas Amazonas e se propagou através dos tempos. De caráter periódico - de 20 em 20 anos - pode ser convocada em qualquer época. E isso acontece no momento exato em que a cerimônia masculina "Karytu" começa a se intensificar, ressaltando a figura feminina como objeto de desprezo e humilhação. Contra essa opressão masculina surge a insurreição feminina em todos os grupos tribais do Alto Xingu.

No "Iamuricumá" a mulher assume controle total da situação, não permitindo que o homem tenha participação em qualquer atividade ou ato. Durante a cerimônias as mulheres absolutamente pintadas e enfeitadas se abraçam e entoam canções, sem auxílio de instrumentos musicais. Somente ao final ouve-se o som de pequenas flautas - iamuricamás. Dentro do ritual elas aproveitam para fazer tudo aquilo que lhes é proibido pelos homens - enquanto estes permanecem assistindo o ritual em local bastante afastado, também, completamente pintados para despertar a atenção feminina, mas o máximo que conseguem, muitas vezes, é serem agredidos pelas índias.

Nesta oportunidade a xinguana maneja armas, luta o "huka-huka", exibição esportiva do Xingu - enquanto que os capitães femininos das tribos anfitriãs (são recepcionados grupos de outras tribos) imitam maneiras, gestos, diálogo, enfim, assumem o comportamento dos capitães-masculinos. Com isto estão tentando igualar-se aos homens e, ao mesmo tempo, humilhá-los.

Também faz parte do término ao ritual a oficialização do "moitará" (através do grito uníssono de todos os componentes dos grupos) que consiste no sistema de troca de objetos, onde o dinheiro não entra por ser desconhecido.

O simbolismo maior deste ritual repousa no peixe: alimento social por excelência. Enquanto que os elementos mediadores entre mulheres e homens - sempre é escolhido um indivíduo segregado da comunidade - pelo fato de não comer peixe fica em posição de destaque no seio da tribo.

Segundo Villas Boas, apesar da forma ostensiva e até brutal, o "Iamuricumá" atua como mantenedor da organização vigente nas tribos.

NO PEIXE A ORIGEM

Um dos significados lendários do "Iamuricumá" está baseado na figura de dois jovens que, ao atingirem a puberdade, foram levados a furar as orelhas (cerimônia a que todos se submetem nessa época). Assim, Oriouã e Amatavirá, ficaram sem comer peixe durante um mês, uma vez que seus pais haviam saído para a grande pescaria. Apenas um homem permaneceu na aldeia em razão de seu filho ter nascido há pouco.

A pescaria se estendeu durante tantos dias que as mulheres começaram a se preocupar com a vida dos maridos, pensando que tivessem sido colhidos por um mal maior. Duas vezes enviaram o único índio como emissário, para saber o que havia ocorrido. Este sempre regressava trazendo muito peixe, mas acrescentava que os demais permaneceriam mais algum tempo em virtude de os pesqueiros estarem abarrotados de peixe. Na terceira vez que o representante da maioria feminina voltou a comunicar - se com seus irmãos foi para dizer . Mas que as mulheres estavam dispostas a abandonar a aldeia caso eles não regressassem. Nova tentativa malograda. Todas ficaram revoltadas por seus maridos não retornarem. Então, sob o contexto do mito do Oriouá, as mulheres foram induzidas à prática do "Iamuricumá". Pintaram-se e cantaram à noite inteira. Na manhã seguinte tomaram infusão de raízes para vomitar e, com isto, expelir os maus espíritos.

Após, foi o chamado o "tatu" o qual foi incumbido de cavar buracos no chão em torno da aldeia, enquanto o emissário voltava novamente a informar aos maridos-pescadores que suas mulheres estavam fugindo. Para desgosto das mulheres eles não se renderam. Por aí seguiram os cantos por dois dias.

Ao velho "tatu" foi ordenado que continuasse cavando, o que levou a considerar-se como "não sendo mais gente". Posteriormente seguiram as mulheres. Passando pelo local onde se encontravam os homens, não atenderam o apelo que estes lhes faziam para que parassem a fim de as crianças comerem peixes. Enquanto isto "tatu" continuava abrindo novos túneis na terra. O canto não parava...

George Zarur lembra que os homens acabaram voltando sem peixe e não foram aceitos por suas mulheres para o relacionamento sexual. A partir daí as "iamuricumãs" começaram a percorrer os túneis feitos por "tatu", indo sair num lugar chamado Maüã. "Vovô Kuikuro" deparou com o aldeamento das mulheres totalmente destruído e foi aos homens da tribo informar o que havia ocorrido. Estes, dirigindo-se à aldeia feminina depararam com às mulheres sobre o teto das casas, não tendo atendido ao chamado dos maridos. E, conta a lenda, ao descerem continuaram a percorrer os caminhos abertos por "tatu", saindo em outro lugar chamado Arihese. Jamais os homens voltaram a encontrá-las.

Lendariamente as "iamuricumãs" não pararam jamais de viajar, dia e noite, enquanto que as crianças de colo que carregavam, foram atiradas aos lagos, transformando-se em peixes. Hoje, ainda, enfeitadas e pintadas vagam cantando e não contam mais com o seio direito para melhor manejar o arco e a flecha.

Segundo Orlando Villas Boas, daí admitir-se a relação entre "Iamuricumá" e a lenda sobre as Amazonas, índias guerreiras que, enjeitaram os filhos homens e queimavam o seio direito para o manejo do arco e da flecha.

(...)

Fonte: JORNAL DO COMÉRCIO (Manaus/AM), 27 de julho de 1977, pág. 05

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 47

  



Todos sobrenomes abaixo tem etimologia mapuche.

461. Ligmanke - condor branco.

462. Lig-ray - flor branca.

463. Likankura - pedra com poder.

464. Likanlewful - pedra viva no rio.

465. Linco - exército.

466. Lincoman - exército de condores.

467. Llancalahuen - joia medicinal, joia curativa.

468. Llancapan - joia do puma, pedra preciosa do puma.

469. Llanka - pérola.

470. Llankvkvyen - lua solitária.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Sobrenomes Argentinos - Parte 46

  



Todos sobrenomes abaixo tem etimologia mapuche.

451. Lemunkura - pedra do monte.

452. Lemunkuyen - lua da montanha.

453. Lemuy - arborizado, com muitas árvores.

454. Lepicheo - pluma de ema.

455. Lepio - vassoura.

456. Levican - crista veloz.

457. Levicoy - carvalho veloz.

458. Leviñanco - água veloz.

459. Levipani - puma veloz.

460. Lienad - rosto da prata.

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