SAQUES E DEGOLAMENTOS
Uma carta com data de 18 do mez proximo findo, que ao Patriota de Rio Pardo escreve pessoa de inteiro criterio, residente na villa do Herval, fornece estas informações:
No dia 11 foi este municipio invadido pelo passo do Centurião.
Os invasores arrebanharam toda a cavalhada do Quinquinha Coruja e do Zeferino Lopes.
D'ahi seguiram até a casa de negocio de Manoel Corrêa, d'onde levaram o que puderam e o resto estragaram.
Nas casas e nas estradas por onde passaram estragaram tudo que não podiam levar.
Contramarcaram a cavalhada e passaram-n'a para a amiga terra.
Levaram tambem grande quantidade de gado, que estão vendendo no Estado Oriental a dous mil réis por cabeça!
E ainda não ficou n'isto.
Logo que se approximaram os vandalos de Jaguarão Chico assaltaram a casa de negocio de um tal Ramão Soares, hespanhol e levaram este e um seu enteado de nome Damasio para traz de um cercado de plantações e ahi os degolaram.
D'ahi seguiram para Lomba Grande, onde saquearam e degolaram o inditoso Cesario Madruga, filho do Catão Madruga. Elle tinha ido a S. Diogo buscar sua mãe e mais familia e voltava para esta villa.
Passaram, logo depois de todos estes horrores, para o Estado Oriental, onde têm e sempre tiveram desinteressado apoio.
Naturalmente foram dividir o producto das façanhas os tão honrados e convictos revolucionarios."
Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 01 de Maio de 1893, pág. 01, col. 04