História, Genealogia, Opinião, Onomástica e Curiosidades.Capão do Leão/RS. Para informações ou colaborações com o blog: joaquimdias.1980@gmail.com
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sábado, 27 de março de 2021
Cerro das Almas - trilha pela parte ocidental
sexta-feira, 26 de março de 2021
Gemma Luziani
"Victima da epidemia reinante falleceu no Rio a exímia pianista Gemma Luziani, professora de piano do Instituto Nacional de Musica.
quinta-feira, 25 de março de 2021
Versos sobre Pelotas em 1857
quarta-feira, 24 de março de 2021
A Fonte de Nossa Senhora de Caçapava do Sul
terça-feira, 23 de março de 2021
Moradores de Pelotas em 1897
Distante de ser um recenseamento completo dos moradores de Pelotas no período, nosso esforço foi o de, através de consulta aos jornais da época disponíveis na web, listar o quanto fosse possível de nomes relacionados à cidade, bem como inserindo as informações adjuntas que encontramos. Todavia, na maior parte dos casos, encontramos somente os nomes. De forma geral, quando usamos a denominação "morador" queremos dizer literalmente isso: apenas constatamos que o indivíduo citado viveu em Pelotas, mas não encontramos mais dados sobre sua ocupação, nacionalidade ou outros. A propósito, quando listamos "Fulano de Tal & Fulana de Tal", justamente com o uso do "&" queremos dizer que os indivíduos são casados. Esperamos contribuir de alguma forma para pesquisas genealógicas e historiográficas, mesmo que de modo muito modesto. Obs.: respeitamos a grafia encontrada na época.
Periódicos consultados para este período: Almanach
Popular Brazileiro (Pelotas; Porto Alegre/RS); Almanak Enciclopedico
Sul-Rio-Grandense (Porto Alegre/RS); Gazetinha (Porto Alegre/RS); O Paiz (Rio
de Janeiro/RJ); Gazeta da Tarde (Rio de Janeiro/RJ); Relatorios do Ministério
de Relações Exteriores (Rio de Janeiro/RJ); Correio Paulistano (São Paulo/SP);
1897
Antonio Maia, charqueador
à margem do São Gonçalo.
Augusto Cassiano do Nascimento, deputado;
genro de Francisco Numa de Souza, major.
Barão de Correntes, proprietário.
Barão de São Luiz, proprietário.
Baronesa da Conceição, proprietária.
Bernardo Taveira Junior, poeta
e escritor.
Boaventura S. Barcellos, corretor
de vendas de tropas na Tablada, estabelecido à Rua XV de Novembro número 318.
Domingos da Silva Pinto, farmacêutico.
Domingos Fernandes da Rocha, comerciante,
proprietário.
Epaminondas Piratinino de Almeida, proprietário;
líder político do Partido Republicano.
Eugenio Ayrard, 31
anos, natural do Rio de Janeiro, morador.
Francisca Caneda Castilhos, moradora.
Francisco Araujo, médico;
professor de Botânica do Lyceo de Agronomia.
Felisberto Ignacio da Cunha, capitalista.
Frederico Alberto Trebbi, italiano,
agente consular da Itália desde 30 de Maio de 1894.
Guido Petrelli, italiano,
operário da construção civil, morador num cortiço à Rua Paysandú.
Honorio de Lima, 46
anos, negociante.
Honorio Eston, negociante.
Ildefonso Corrêa, despachante
de importação e exportação, em sociedade com João Simões; estabelecidos
à Rua Gonçalves Chaves número 254.
Izabelino Fernandez, uruguaio,
dono de uma empresa de diligências Pelotas-Melo e Pelotas-Montevidéu.
João Baptista Casa Nova, proprietário
da loja João Baptista Casa Nova & Cia.; estabelecida à Rua General
Osório números 176 e 178 (sobrado) – couros, tecidos, metais, ferragem, tintas,
correaria, artigos para sapataria e seges.
João Christovão de Leão, proprietário.
João Las Casas, morador.
João Pedro Caminha, coronel.
João Pinto Bandeira, morador.
João Reis, capitalista.
João Simões Lopes Netto, liderança
do Partido Republicano.
Joaquim Teixeira da Costa Leite, vice-cônsul
de Portugal, desde 18 de Julho de 1887.
Joaquina Ignacia Pereira, moradora.
José Alvares de Souza Soares, farmacêutico,
homeopata, fabricante do Peitoral de Cambará.
José Alves de Carvalho, português,
sócio da firma Ramos & Carvalho.
José Pedro Rodrigues Candiota, major,
fazendeiro.
José Pinto Madureira, agente
de navegação de transporte de passageiros até Porto Alegre e Rio Grande.
José Verdade, proprietário
da Alfaiateria Verdade, estabelecida à Rua General Osório número 230.
José Vieira da Cunha, advogado
estabelecido à Rua Miguel Barcellos número 05.
Julia Cavalcanti, poetisa.
Leopoldina Maciel, moradora.
Leopoldo Joucla, francês,
agente consular da França, desde 17 de Novembro de 1884; representante do
conhaque P. Frapin & Cie.
Manoel José Alves Correia, morador.
Rafael Bassols, espanhol,
proprietário da Sastreria La Joven España (comércio de roupas
masculinas), fundada em 06 de Outubro de 1883, estabelecida à Rua XV de
Novembro número 186.
Ricardo Tavares de Mello, morador.
Salustiano Reis, coronel,
comandante do 13º. Batalhão de Infantaria.
Servando Gomez Silva, uruguaio,
cônsul do Uruguay, desde 11 de Outubro de 1887.
Venancio Silva, 25
anos, negro, empregado na charqueada de Antonio Maia.
Virginio Mattos e Moreira, corretor
de comissões nacionais e estrangeiras.
segunda-feira, 22 de março de 2021
A Gruta Misteriosa do Cerro das Almas
domingo, 21 de março de 2021
O escorbuto e um precursor da caipirinha?
Gengivas inchadas, esponjosas, arroxeadas, sangrando, hálito fétido, dentes amolecidos e cuspidos, sangramento em volta dos pelos do corpo, logo grandes equimoses, juntas inchadas, hemorragia nasal, olhos injetados, vômito sangrento, ferimentos não-cicatrizados, lassidão, fraqueza, insuficiência cardíaca e morte súbita. Quando os valentes marinheiros saíam de Bristol, no século XVIII, deixando o Dr. Jenner entre as ordenhadoras, tudo isso era tão comum a bordo quanto o enjoo de mar.
Vasco da Gama, em 1497, o primeiro a dar
a volta ao Cabo da Boa Esperança, perdeu desse modo 160 homens de sua
tripulação. A doença intrigou Fernão de Magalhães, o primeiro a dar a volta ao
Cabo Horn, em 1520. Um ano e três meses depois de sair de Sevilha, após passar
três meses de inverno em São Juliano, na Patagônia, as gengivas dos seus homens
“cresceram, cobrindo os dentes, impedindo-os de se alimentar, e eles morreram
de fome”. Jacques Cartier, de St. Malo, descobridor do São Lourenço, passou o
inverno de 1535 ancorado no rio Charles, que divide Quebec, e perdeu 50 homens
em dezembro, quando essa “doença desconhecida começou a se espalhar entre nós
do modo mais estranho jamais visto ou ouvido”. Em fevereiro, dos 110
tripulantes apenas 10 tinham condições de trabalhar, outros 25 morreram em
terra, em março, a despeito das orações contínuas.
O veterano da Armada, Sir Richard
Hawkins, autor de Voyage into the South Sea, seguiu a esteira de Drake,
para circunavegar o globo no Repentance (rebatizado, por ordem da rainha
Elizabeth I, com o nome de Daintie), liberalmente aprovisionado em 1593,
em Plymouth, com carne de boi, de porco, biscoitos e cidra, e foi atacado pela
doença no Equador. Nos seus 20 anos no mar, Sir Richard admitiu ter
visto 10.000 casos.
O escorbuto era uma doença identificada
pelo número de mortos. Os comandantes se perguntavam se seria uma infecção dos
misteriosos fomites ou provocada pela preguiça evidente de suas vítimas,
por miasmas demoníacos, entre um convés e outro, o sal do ar, o trabalho duro,
beijar mulheres em terra, a comida. A ração diária na marinha, em 1615, era de
236 gramas de queijo, 118 gramas de bacon e 118 de manteiga, meio quilo de
biscoitos, geralmente bichados e “fedidos como mijo”, mas toleráveis com o meio
litro de cerveja.
O escorbuto no mar era grave e rápido,
raro entre os oficiais, até mesmo entre os oficiais subalternos, atacando mais
rapidamente nas viagens que começavam na primavera. Nos porões-prisões
ancorados ao largo de Woolwich, no Tâmisa, o escorbuto era um carrasco muito
ocupado. Os traficantes de escravos queixavam-se que o número de vítimas da
doença, nos seus navios superlotados, custava a eles a perda de vidas valiosas.
O escorbuto em terra era mais insidioso no seu ataque às guarnições, às cidades
cercadas, aos Países Baixos, ao norte da Rússia e Escandinávia e às legiões
romanas, quando elas atravessavam o Reno.
Felizmente para os romanos, os
holandeses tinham uma erva curativa, bem como os índios das margens do São
Lourenço. Atônito com os casos dos índios que se recuperavam numa semana,
tomando chá de agulhas verdes de pinheiro, Jacques Cartier mandou fazer o chá
para sua tripulação e, satisfeito, viu todos curados, sendo sua alegria maior
pelo fato de não precisar repetir a desagradável tarefa de abrir o corpo de um
amigo morto na neve, sem descobrir a causa da terrível doença.
(...)
Naquela época, acreditava-se que, para
cada doença enviada por sua ira, Deus, misericordiosamente, plantava uma erva
para curá-la. A medicina herbal ecoa por toda a Bíblia.
O herbalista e barbeiro-cirurgião de
James I, John Gerarde (1545-1612), em 1597 proclamou divinamente a descoberta
da erva do escorbuto. Essa cochlearia officialis, com 30 centímetros de
altura e flores brancas, que crescia perto do mar, é uma das quadripétalas da
família das crucíferas, parente dos nabos, rabanetes, agrião, mostarda e goivo
amarelo. O brado das ruas “compre a erva do escorbuto!” era bastante comum em
Middleton e no livro de Decker, The Roaring Girl, de 1611. Em 1661 era
possível comprar cerveja de erva do escorbuto. Em 1764, o avô de Byron,
Almirante “mau tempo Jack”, prudentemente incluiu entre as provisões do Dolphin,
para a viagem ao redor do mundo, a erva do escorbuto e cocos.
Os marinheiros estavam descobrindo que
frutos tropicais comidos em terra curavam o escorbuto a bordo. Laranjas azedas
e limão eram a ração favorita de Sir Richard Hawkins, e o cirurgião da
Companhia das Índias Orientais, John Woodall (1569-1643), no The Surgeon
Mate, em 1612, recomendava o armazenamento de suco de limão a bordo de
todos os navios da companhia. Os holandeses preferiam Sauerkraut, e o
Capitão Cook recomendava geleia de cenoura e mosto de cerveja. Vinagra, para
tomar ou lavar o convés, óledo de vitríolo e enterrar o paciente até o pescoço,
na terra fria, todos esses métodos tinham seus defensores, embora mal
orientados.
James Lind (1716-94), de Edimburgo, nove
anos no mar, com a marinha, bravamente denunciou as acomodações para os
doentes, a comida rançosa, a água imunda e deixou o mar para ser médico do
Hospital Naval Haslar, em Portsmouth, que em 1790 tinha ainda 1.754 casos de
escorbuto. Lord Anson perdeu três quartos da sua tripulação na viagem ao
redor do mundo, em 1740-44. Em 1778, a Frota do Canal, depois de 10 semanas no
mar, tinha 2.400 casos de escorbuto. Porém, em 1753, o Tratado sobre
escorbuto, de Lind, determinou um curso entre as supostas causas e supostas
curas que flutuavam ainda no mar da ignorância.
Em 20 de Março de 1747, a bordo do Salisbury,
voltando para casa, tendo saído há um mês de Plymouth, Lind realizou uma
experiência clínica. Doze doentes de escorbuto, na enfermaria de bordo, na
proa, alimentavam-se com mingau no desjejum, caldo de carne de carneiro e pudim
no almoço e sagu, passas de Corinto e passas de uvas no jantar. Lind dava a
cada um meio litro de cidra por dia. Dois tomaram óleo de vitríolo. Dois,
vinagre. Dois, água do mar. Dois chuparam laranjas e limão, e dois um preparado
de pó de alho, rabanete, bálsamo-do-peru e mirra. Os dois que receberam laranjas
e limão estavam aptos para o trabalho dentro de seis dias, e passaram a tratar
dos que continuavam doentes.
Johannes Bachstrim (1686-1742), de
Leyden, 13 anos antes havia declarado que o escorbuto do mar e o de terra eram
uma única doença que só tinha uma cura: comer verduras. Lind afirmou a mesma
coisa:
O marinheiro ignorante e o médico
culto sentem necessidade, igualmente, e com a mesma intensidade, de vegetais
verdes e das frutas frescas da terra.
Lind receitou suco de limão ou de lima.
Ele havia encontrado o remédio
específico, sem ideia de como funcionava, para uma doença cuja causa ninguém
conhecia.
Um ano depois da sua morte, o
almirantado concordou com ele. Duzentos gramas de suco de limão, com 100
gramas e meio de açúcar, eram distribuídos para toda a tripulação depois de
seis semanas no mar [grifo nosso]. O escorbuto desapareceu como o Holandês
Voador.
Mais tarde, o suco de limão passou a
ser preservado com a adição de um quarto de seu volume de rum [grifo nosso].
Os donos de navios mercantes, a partir de 1854, foram obrigados a “servir suco
de limão ou de lima à tripulação, sempre que os homens haviam consumido alimentos
salgados durante 10 dias”. As limas das Índias Orientais eram preferidas aos
limões do Mediterrâneo e, por muito tempo, a palavra passou a designar os
ingleses nos portos da América (embora durante um tempo os limeys fossem
também os “novos amigos” que desembarcavam na Austrália). As limas,
estranhamente, não eram tão eficazes contra o escorbuto quanto o limão. A
viagem em busca do Pólo Norte, comandada por Sir George Nares em 1875,
quando só foi usado o suco de lima, teve casos de escorbuto, e a de Sir Alexander
Armstrong, em 1850, com suco de limão, não teve nenhum. Às vezes, 85% dos
pacientes de Florence Nightingale, em Scutari, tinham escorbuto, apesar das
rações de suco de lima, mas isso logo foi explicado pelo fato de as limas terem
ficado todas esquecidas em Balaclava. A humanidade teria de esperar 50 anos
pela resposta certa.
Fonte: GORDON, Richard. A assustadora
história da medicina. (trad. Aulyde Soares Rodrigues). Rio de Janeiro:
Ediouro, 7ª. Ed., 1996, pág. 52-55.




