terça-feira, 23 de março de 2021

Moradores de Pelotas em 1897



 Distante de ser um recenseamento completo dos moradores de Pelotas no período, nosso esforço foi o de, através de consulta aos jornais da época disponíveis na web, listar o quanto fosse possível de nomes relacionados à cidade, bem como inserindo as informações adjuntas que encontramos. Todavia, na maior parte dos casos, encontramos somente os nomes. De forma geral, quando usamos a denominação "morador" queremos dizer literalmente isso: apenas constatamos que o indivíduo citado viveu em Pelotas, mas não encontramos mais dados sobre sua ocupação, nacionalidade ou outros. A propósito, quando listamos "Fulano de Tal & Fulana de Tal", justamente com o uso do "&" queremos dizer que os indivíduos são casados. Esperamos contribuir de alguma forma para pesquisas genealógicas e historiográficas, mesmo que de modo muito modesto. Obs.: respeitamos a grafia encontrada na época.

 

Periódicos consultados para este período: Almanach Popular Brazileiro (Pelotas; Porto Alegre/RS); Almanak Enciclopedico Sul-Rio-Grandense (Porto Alegre/RS); Gazetinha (Porto Alegre/RS); O Paiz (Rio de Janeiro/RJ); Gazeta da Tarde (Rio de Janeiro/RJ); Relatorios do Ministério de Relações Exteriores (Rio de Janeiro/RJ); Correio Paulistano (São Paulo/SP);

 

1897

 

Antonio Maia, charqueador à margem do São Gonçalo.

 

Augusto Cassiano do Nascimento, deputado; genro de Francisco Numa de Souza, major.

 

Barão de Correntes, proprietário.

 

Barão de São Luiz, proprietário.

 

Baronesa da Conceição, proprietária.

 

Bernardo Taveira Junior, poeta e escritor.

 

Boaventura S. Barcellos, corretor de vendas de tropas na Tablada, estabelecido à Rua XV de Novembro número 318.

 

Domingos da Silva Pinto, farmacêutico.

 

Domingos Fernandes da Rocha, comerciante, proprietário.

 

Epaminondas Piratinino de Almeida, proprietário; líder político do Partido Republicano.

 

Eugenio Ayrard, 31 anos, natural do Rio de Janeiro, morador.

 

Francisca Caneda Castilhos, moradora.

 

Francisco Araujo, médico; professor de Botânica do Lyceo de Agronomia.

 

Felisberto Ignacio da Cunha, capitalista.

 

Frederico Alberto Trebbi, italiano, agente consular da Itália desde 30 de Maio de 1894.

 

Guido Petrelli, italiano, operário da construção civil, morador num cortiço à Rua Paysandú.

 

Honorio de Lima, 46 anos, negociante.

 

Honorio Eston, negociante.

 

Ildefonso Corrêa, despachante de importação e exportação, em sociedade com João Simões; estabelecidos à Rua Gonçalves Chaves número 254.

 

Izabelino Fernandez, uruguaio, dono de uma empresa de diligências Pelotas-Melo e Pelotas-Montevidéu.

 

João Baptista Casa Nova, proprietário da loja João Baptista Casa Nova & Cia.; estabelecida à Rua General Osório números 176 e 178 (sobrado) – couros, tecidos, metais, ferragem, tintas, correaria, artigos para sapataria e seges.

 

João Christovão de Leão, proprietário.

 

João Las Casas, morador.

 

João Pedro Caminha, coronel.

 

João Pinto Bandeira, morador.

 

João Reis, capitalista.

 

João Simões Lopes Netto, liderança do Partido Republicano.

 

Joaquim Teixeira da Costa Leite, vice-cônsul de Portugal, desde 18 de Julho de 1887.

 

Joaquina Ignacia Pereira, moradora.

 

José Alvares de Souza Soares, farmacêutico, homeopata, fabricante do Peitoral de Cambará.

 

José Alves de Carvalho, português, sócio da firma Ramos & Carvalho.

 

José Pedro Rodrigues Candiota, major, fazendeiro.

 

José Pinto Madureira, agente de navegação de transporte de passageiros até Porto Alegre e Rio Grande.

 

José Verdade, proprietário da Alfaiateria Verdade, estabelecida à Rua General Osório número 230.

 

José Vieira da Cunha, advogado estabelecido à Rua Miguel Barcellos número 05.

 

Julia Cavalcanti, poetisa.

 

Leopoldina Maciel, moradora.

 

Leopoldo Joucla, francês, agente consular da França, desde 17 de Novembro de 1884; representante do conhaque P. Frapin & Cie.

 

Manoel José Alves Correia, morador.

 

Rafael Bassols, espanhol, proprietário da Sastreria La Joven España (comércio de roupas masculinas), fundada em 06 de Outubro de 1883, estabelecida à Rua XV de Novembro número 186.

 

Ricardo Tavares de Mello, morador.

 

Salustiano Reis, coronel, comandante do 13º. Batalhão de Infantaria.

 

Servando Gomez Silva, uruguaio, cônsul do Uruguay, desde 11 de Outubro de 1887.

 

Venancio Silva, 25 anos, negro, empregado na charqueada de Antonio Maia.

 

Virginio Mattos e Moreira, corretor de comissões nacionais e estrangeiras.

 

 

 

domingo, 21 de março de 2021

O escorbuto e um precursor da caipirinha?

 



Gengivas inchadas, esponjosas, arroxeadas, sangrando, hálito fétido, dentes amolecidos e cuspidos, sangramento em volta dos pelos do corpo, logo grandes equimoses, juntas inchadas, hemorragia nasal, olhos injetados, vômito sangrento, ferimentos não-cicatrizados, lassidão, fraqueza, insuficiência cardíaca e morte súbita. Quando os valentes marinheiros saíam de Bristol, no século XVIII, deixando o Dr. Jenner entre as ordenhadoras, tudo isso era tão comum a bordo quanto o enjoo de mar.

 

Vasco da Gama, em 1497, o primeiro a dar a volta ao Cabo da Boa Esperança, perdeu desse modo 160 homens de sua tripulação. A doença intrigou Fernão de Magalhães, o primeiro a dar a volta ao Cabo Horn, em 1520. Um ano e três meses depois de sair de Sevilha, após passar três meses de inverno em São Juliano, na Patagônia, as gengivas dos seus homens “cresceram, cobrindo os dentes, impedindo-os de se alimentar, e eles morreram de fome”. Jacques Cartier, de St. Malo, descobridor do São Lourenço, passou o inverno de 1535 ancorado no rio Charles, que divide Quebec, e perdeu 50 homens em dezembro, quando essa “doença desconhecida começou a se espalhar entre nós do modo mais estranho jamais visto ou ouvido”. Em fevereiro, dos 110 tripulantes apenas 10 tinham condições de trabalhar, outros 25 morreram em terra, em março, a despeito das orações contínuas.

 

O veterano da Armada, Sir Richard Hawkins, autor de Voyage into the South Sea, seguiu a esteira de Drake, para circunavegar o globo no Repentance (rebatizado, por ordem da rainha Elizabeth I, com o nome de Daintie), liberalmente aprovisionado em 1593, em Plymouth, com carne de boi, de porco, biscoitos e cidra, e foi atacado pela doença no Equador. Nos seus 20 anos no mar, Sir Richard admitiu ter visto 10.000 casos.

 

O escorbuto era uma doença identificada pelo número de mortos. Os comandantes se perguntavam se seria uma infecção dos misteriosos fomites ou provocada pela preguiça evidente de suas vítimas, por miasmas demoníacos, entre um convés e outro, o sal do ar, o trabalho duro, beijar mulheres em terra, a comida. A ração diária na marinha, em 1615, era de 236 gramas de queijo, 118 gramas de bacon e 118 de manteiga, meio quilo de biscoitos, geralmente bichados e “fedidos como mijo”, mas toleráveis com o meio litro de cerveja.

 

O escorbuto no mar era grave e rápido, raro entre os oficiais, até mesmo entre os oficiais subalternos, atacando mais rapidamente nas viagens que começavam na primavera. Nos porões-prisões ancorados ao largo de Woolwich, no Tâmisa, o escorbuto era um carrasco muito ocupado. Os traficantes de escravos queixavam-se que o número de vítimas da doença, nos seus navios superlotados, custava a eles a perda de vidas valiosas. O escorbuto em terra era mais insidioso no seu ataque às guarnições, às cidades cercadas, aos Países Baixos, ao norte da Rússia e Escandinávia e às legiões romanas, quando elas atravessavam o Reno.

 

Felizmente para os romanos, os holandeses tinham uma erva curativa, bem como os índios das margens do São Lourenço. Atônito com os casos dos índios que se recuperavam numa semana, tomando chá de agulhas verdes de pinheiro, Jacques Cartier mandou fazer o chá para sua tripulação e, satisfeito, viu todos curados, sendo sua alegria maior pelo fato de não precisar repetir a desagradável tarefa de abrir o corpo de um amigo morto na neve, sem descobrir a causa da terrível doença.

 

(...)

 

Naquela época, acreditava-se que, para cada doença enviada por sua ira, Deus, misericordiosamente, plantava uma erva para curá-la. A medicina herbal ecoa por toda a Bíblia.

 

O herbalista e barbeiro-cirurgião de James I, John Gerarde (1545-1612), em 1597 proclamou divinamente a descoberta da erva do escorbuto. Essa cochlearia officialis, com 30 centímetros de altura e flores brancas, que crescia perto do mar, é uma das quadripétalas da família das crucíferas, parente dos nabos, rabanetes, agrião, mostarda e goivo amarelo. O brado das ruas “compre a erva do escorbuto!” era bastante comum em Middleton e no livro de Decker, The Roaring Girl, de 1611. Em 1661 era possível comprar cerveja de erva do escorbuto. Em 1764, o avô de Byron, Almirante “mau tempo Jack”, prudentemente incluiu entre as provisões do Dolphin, para a viagem ao redor do mundo, a erva do escorbuto e cocos.

 

Os marinheiros estavam descobrindo que frutos tropicais comidos em terra curavam o escorbuto a bordo. Laranjas azedas e limão eram a ração favorita de Sir Richard Hawkins, e o cirurgião da Companhia das Índias Orientais, John Woodall (1569-1643), no The Surgeon Mate, em 1612, recomendava o armazenamento de suco de limão a bordo de todos os navios da companhia. Os holandeses preferiam Sauerkraut, e o Capitão Cook recomendava geleia de cenoura e mosto de cerveja. Vinagra, para tomar ou lavar o convés, óledo de vitríolo e enterrar o paciente até o pescoço, na terra fria, todos esses métodos tinham seus defensores, embora mal orientados.

 

James Lind (1716-94), de Edimburgo, nove anos no mar, com a marinha, bravamente denunciou as acomodações para os doentes, a comida rançosa, a água imunda e deixou o mar para ser médico do Hospital Naval Haslar, em Portsmouth, que em 1790 tinha ainda 1.754 casos de escorbuto. Lord Anson perdeu três quartos da sua tripulação na viagem ao redor do mundo, em 1740-44. Em 1778, a Frota do Canal, depois de 10 semanas no mar, tinha 2.400 casos de escorbuto. Porém, em 1753, o Tratado sobre escorbuto, de Lind, determinou um curso entre as supostas causas e supostas curas que flutuavam ainda no mar da ignorância.

 

Em 20 de Março de 1747, a bordo do Salisbury, voltando para casa, tendo saído há um mês de Plymouth, Lind realizou uma experiência clínica. Doze doentes de escorbuto, na enfermaria de bordo, na proa, alimentavam-se com mingau no desjejum, caldo de carne de carneiro e pudim no almoço e sagu, passas de Corinto e passas de uvas no jantar. Lind dava a cada um meio litro de cidra por dia. Dois tomaram óleo de vitríolo. Dois, vinagre. Dois, água do mar. Dois chuparam laranjas e limão, e dois um preparado de pó de alho, rabanete, bálsamo-do-peru e mirra. Os dois que receberam laranjas e limão estavam aptos para o trabalho dentro de seis dias, e passaram a tratar dos que continuavam doentes.

 

Johannes Bachstrim (1686-1742), de Leyden, 13 anos antes havia declarado que o escorbuto do mar e o de terra eram uma única doença que só tinha uma cura: comer verduras. Lind afirmou a mesma coisa:

 

O marinheiro ignorante e o médico culto sentem necessidade, igualmente, e com a mesma intensidade, de vegetais verdes e das frutas frescas da terra.

 

Lind receitou suco de limão ou de lima.

 

Ele havia encontrado o remédio específico, sem ideia de como funcionava, para uma doença cuja causa ninguém conhecia.

 

Um ano depois da sua morte, o almirantado concordou com ele. Duzentos gramas de suco de limão, com 100 gramas e meio de açúcar, eram distribuídos para toda a tripulação depois de seis semanas no mar [grifo nosso]. O escorbuto desapareceu como o Holandês Voador.

 

Mais tarde, o suco de limão passou a ser preservado com a adição de um quarto de seu volume de rum [grifo nosso]. Os donos de navios mercantes, a partir de 1854, foram obrigados a “servir suco de limão ou de lima à tripulação, sempre que os homens haviam consumido alimentos salgados durante 10 dias”. As limas das Índias Orientais eram preferidas aos limões do Mediterrâneo e, por muito tempo, a palavra passou a designar os ingleses nos portos da América (embora durante um tempo os limeys fossem também os “novos amigos” que desembarcavam na Austrália). As limas, estranhamente, não eram tão eficazes contra o escorbuto quanto o limão. A viagem em busca do Pólo Norte, comandada por Sir George Nares em 1875, quando só foi usado o suco de lima, teve casos de escorbuto, e a de Sir Alexander Armstrong, em 1850, com suco de limão, não teve nenhum. Às vezes, 85% dos pacientes de Florence Nightingale, em Scutari, tinham escorbuto, apesar das rações de suco de lima, mas isso logo foi explicado pelo fato de as limas terem ficado todas esquecidas em Balaclava. A humanidade teria de esperar 50 anos pela resposta certa.

 

Fonte: GORDON, Richard. A assustadora história da medicina. (trad. Aulyde Soares Rodrigues). Rio de Janeiro: Ediouro, 7ª. Ed., 1996, pág. 52-55.

sábado, 20 de março de 2021

Saque na Estação de Piratini



"Noticía o
Diario Popular de Pelotas, do dia 12:

'Os maragatos, sob a chefia de Carolino Amaral, os quaes, ha dous annos, infestam o municipio de Santa Izabel, ás 2 horas da madrugada, de sabbado, atacaram de surpresa a estação de Piratiny, depois de terem degollado, barbaramente, o nosso esforçado co-religionario major João Paulo Botelho e um cabo, sua ordenança.

O brioso destacamento do 3o. e 9o. d'infantaria da guarda nacional de Pelotas, que guarnece a Estação, repelliu com toda bravura, os atacantes, que, apóz duas horas de vivo fogo, retiraram-se.

Os maragatos eram em numero de cento e tantos homens, sendo a força legal de setenta e poucos, que houveram se de maneira digna de todos os encomios, commandada pelos nossos estimados amigos srs. tenente Democrito Rodrigues da Silva e alferes Francisco da Silva Barcellos.

Perdemos o sargento vago-mestre do 17o. de infantaria, que recebeu, no começo da acção, um ferimento de bala, na cabeça, sendo feridas duas praças do 9o. e uma do 3o. da guarda nacional do nome Francisco Gomes Vieira, que chegou, domingo, a esta cidade, onde falleceu ante-hontem.

Os rebeldes tiveram dous bandidos mortos e diversos feridos.

Como succede sempre, os libertadores saquearam completamente a estação, onde achavam-se algumas bagagens de officiaes do 17o., roubando d'uma mala 500$000, pertencentes a um d'elles, algum dinheiro do chefe da estação e toda a roupa que encontraram.

Os bandidos, depois de tentarem prender fogo na estação e na ponte, procuraram, com insistencia e interesse, o brioso alferes quartel-mestre do 17o., sr. Coelho, que ali havia chegado, no mesmo dia, com 20 e tantos contos, para seu batalhão, e o qual escapou-se milagrosamente, recebendo uma descarga.

Da estação foram os maragatos desalojados por uma pequena força do 3o. da guarda nacional, ao mando do alferes Francisco da Silva Barcellos, que conduziu-se com irreprehensivel bravura e muito sangue frio."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 16 de Fevereiro de 1895, pág. 01, col. 03

sexta-feira, 19 de março de 2021

Viscondessa do Serro Formoso



"N'esta capital falleceu hoje, pela manhã, a viscondessa do Serro Formoso, respeitavel matrona de 85 annos de idade.

As cerimonias da encommendação annunciam-se para amanhã, ás 8 1/2 horas do dia, na Cathedral.

✤✤✤✤✤

Falleceu em Bagé o mallogrado amigo tenente João Fortunato, pertencente ás forças civis republicanas de S. Gabriel.

Conta um nosso collega que este digno servidor da Republica foi traiçoeira e covardemente ferido de morte em viagem de Sant'Anna para Bagé, pelos miseraveis castelhanos assalariados para o saque e assassinato na nossa terra.

Este facto lamentavel deu-se justamente sobre a linha divisoria.

✤✤✤✤✤

Falleceram na cidade do Rio Grande:

O 2o. tenente do corpo de machinistas da armada Antonio Bastos de Figueiredo, de 37 annos de idade, casado e natural d'aquella cidade;

O sr. Francisco José Rodrigues, que por longos annos exerceu ali a profissão de alfaiate;

E na madrugada de ante-hontem o sr. Gabriel José de Oliveira, que por muito tempo exerceu na alfandega da mesma cidade o cargo de conferente.

✤✤✤✤✤

Por telegramma recebido em Pelotas sabe-se ter fallecido em S. Paulo a exma. sra. d. Maria Isabel de Barros Corrêa, distinctissima esposa do nosso patricio dr. Rivadavia da Cunha Corrêa.

(...)

Falleceu em Pelotas o sr. Felix Alfino, de 58 annos de idade, italiano, casado e pai do sr. José Alfino, regente da banda musical União."

Fonte: A FEDERAÇÃO (Porto Alegre/RS), 05 de Abril de 1893, pág. 02, col. 02

quinta-feira, 18 de março de 2021

A Lenda da Ilha do Encanta-Moça



"Onde revive uma lenda interessante

Dizem de Recife que o lugar escolhido para a aterrissagem do avião Latecoére é a ilha do Pina, que se denomina 'Encanta Moça'. Era esse ponto deshabitado e inexplicado devido a uma lenda existente a qual é contada do modo seguinte:

'Certo dia, houvera ali uma festa, tendo comparecido uma linda rapariga, que logo se tornou sympathica por todos. Inesperadamente desappareceu a moça da festa, sendo inuteis todas as pesquizas para descobrir o seu paradeiro.

Creou-se, então, a lenda de que a rapariga tinha sido 'encantada'. Dessa data em deante o local ficára mal assombrado. Quem se atrevia a passar pelas proximidades via e ouvia cousas estranhas, de arrepiar cabellos.

Ultimamente, um veterano da guerra do Paraguay pretendeu cortar madeiras nos arredores do 'Encanta Moça'. Em dado momento teria visto o velho servidor da Patria um busto semi nú, de uma linda mulher de longos cabellos soltos, a qual exprobou o veterano, dizendo que a madeira pertencia ao 'reino encantado'.

O velho soldado, que nunca correra na guerra do Paraguay, fugiu do local, apavorado.

Esta é a lenda. Oxalá possam os aviadores de Latecoére desencantar o encanto da moça."

Fonte: CORREIO DO POVO(Jaraguá do Sul/SC), 21 de Março de 1925, pág. 01
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