domingo, 1 de julho de 2018

Histórias Curiosas LXIV

Barbearia do centro do município de Capão do Leão, sábado à tarde, e a copa de mundo rolando lá na Rússia. A Argentina havia sido batida nas oitavas de final pela França e o barbeiro atendia um cliente conversando sobre futebol, jogadores, a eliminação argentina, e etc. Outros três homens aguardavam a sua vez e logo iria começar outro jogo na televisão. Enfim, todo mundo no mesmo assunto.

Na animada conversa, as pérolas saem naturalmente. 

 - Tchê, aquela zaga da Argentina é muito fraca! Tu viu aquele jogador da França, o Mibatê? Como corre aquele guri! (Mbappé virou "Mibatê").

- O Nilmar é muito exibido, aquele choro no final do jogo foi para chamar atenção! (Nilmar é o Neymar, e olha que foi ouvida umas quantas vezes o tal de "Nilmar").

- Olha, se o Brasil passar pelo México, eu tenho medo da Bélgica. Como jogam aqueles caras. Eles tem um atacante forte, trombador, o Lucas Sú ("Lukaku"?).

- Quem tá levando o Brasil nas costas é o Felipe Godinho!! Aquele outro guri, o Vágner ("Fágner" - esse foi o menos pior) também entrou bem.

Barbearia: centro de excelência para discutir futebol e política entre homens.

A Nobreza Gaúcha - Parte 02


" - Barão de Itaqui
João Nunes da Silva Tavares.

Nasceu em Erval, a 24/05/1816, morreu em Bagé, RS, em 1906, filho do Visconde de Serro Alegre e irmão do Barão de Santa Tecla.
Grande estancieiro, seguiu a carreira militar, chegando a brigadeiro.
Teve participação relevante na Guerra do Paraguai (1864-1870). Foi um dos principais chefes da Revolução Federalista (1893).
Recebeu o título de Dom Pedro II, em 1870.

- Visconde de Jaguari
Domingos de Castro Antiqueira.

Nasceu em Viamão, RS, e morreu em Pelotas em 1852.
Recebeu o título de Barão de Dom Pedro I, em 1829 e o de Visconde, de Dom Pedro II, em 1846.
Foi político e grande proprietário.

- Barão de Jaraú
Joaquim José de Assunção.

Nasceu em Pelotas, RS, em 1830, morreu na mesma cidade em 1898.
Proprietário e figura expressiva da sociedade pelotense, era cunhado do Visconde da Graça. Foi um dos maiores industriais da região.
Recebeu o título, em 1888, de Dom Pedro II.

- Barão de Nonoai
João Pereira de Almeida.

Nasceu em Santa Maria, RS, em 1830, e morreu em Porto Alegre, RS, em 1897.
Foi grande proprietário e Coronel da Guarda Nacional. Tinha grande influência política.
Recebeu o título, em 1886, de Dom Pedro II.

- Conde de Piratinim ou Piratini
João Francisco Vieira Braga.

Nasceu em Piratini, RS, em 1793, morreu em Pelotas, RS, em 1887.
Grande proprietário. Deputado e vice-presidente da Província do Rio Grande do Sul.
Fundou a Santa Casa de Pelotas, asilos e a Biblioteca Pública.
Contribuiu com grande quantias para a Guerra Cisplatina (1826) e a Guerra do Paraguai.
Foi Barão em 1854, Visconde e Conde em 1885, títulos recebidos de Dom Pedro II.

- Barão de Quaraim
Pedro Rodrigues Fernandes Chaves.

Nasceu em Porto Alegre, RS, no ano de 1810, morreu na cidade de Pisa, Itália, em 1866.
Formado em Direito, seguiu a carreira na magistratura. Foi juiz, desembargador, deputado, senador, presidente da Província da Paraíba e representou o Brasil no Uruguai e Estados Unidos. Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico do Brasil.
A Condessa de São Clemente era sua filha.
Recebeu o título, em 1855, de Dom Pedro II.

- Visconde de Ribeiro Magalhães
Antônio Nunes Ribeiro Magalhães.

Nascido em Portugal, foi grande proprietário de terras e charqueadas na região da cidade de Bagé (RS).
Protetor de obras filantrópicas, recebeu o título de Visconde do Rei Dom Carlos I de Portugal, em 1905.
Morreu no início do século XX.

- Barão de Saicá
João Maria da Gama Lobo de Eça.

Nasceu em Santa Catarina, em 1800, e morreu no Rio Grande do Sul, em 1872.
Seguiu a carreira militar, chegando a brigadeiro.
Grande proprietário, participou das lutas da época. Sua esposa, Maria Alvares Trilha (1803-1876), era natural de Rio Pardo, RS.
Foi sogro do Conde de Porto Alegre.
Recebeu o título, em 1866, de Dom Pedro II.

- Barão de Santa Tecla
Joaquim da Silva Tavares.

Nasceu em Erval, RS, em 1830, e morreu em Bagé, RS, em 1900.
Grande proprietário, Coronel da Guarda Nacional, filho do Visconde de Serro Alegre, irmão do Barão de Itaqui.
Foi político e presidente da Província do Rio Grande do Sul.
Recebeu o título, em 1866, de Dom Pedro II.

- Visconde de São José do Norte
Eufrasio Lopes de Araújo.

Nasceu em Viamão, RS, em 1815, e morreu na mesma cidade, em 1880.
Foi grande estancieiro, chefe político e banqueiro. Contribuiu com grandes somas para a Guerra do Paraguai.
Recebeu o título de Barão em 1877, e o de Visconde, em 1888, ambos de Dom Pedro II.
Foi pai da Baronesa de Cruangi, depois Baronesa de Pinto Lima.

- Barão de São Lucas
Pedro Pereira de Escobar.

Nasceu em São Borja, RS, em 1808, e morreu nesta mesma cidade em 1893.
Grande proprietário.
Recebeu o título, em 1889, de Dom Pedro II.

- Conde de São Simão
Paulo Fernandes Carneiro Viana.

Nasceu no Rio Grande do Sul, em 1804, e morreu no Rio de Janeiro, em 1865.
Figura de destaque na Corte de Dom João VI e Dom Pedro I.
Casou com a filha da Baronesa de São Salvador dos Campos. Sua filha foi Viscondessa da Cachoeira.
Foi grande estancieiro.
Recebeu o título de Barão, em 1818, de Dom João VI, e, mais tarde, o de Barão (1823) e de Conde (1826) de Dom Pedro I."

Fonte: BELLOMO, Harry Rodrigues. A Nobreza Titulada Gaúcha. In: NEUBERGER, Lotário. RS no contexto do Brasil. Porto Alegre: CIPEL/EDIPLAT, 2000, p. 216-219.





sábado, 30 de junho de 2018

Santos populares argentinos


"A cúpula da Igreja Católica não reconhece esses santos no 'panteão' oficial dos santos canonizados pelo Vaticano, já que para isso seriam necessários dois milagres confirmados, verificados por doutores em teologia. O segundo e o terceiro escalão do clero geralmente encaram os cultos como 'manifestações de intensa fé'. Mas tentam conduzir os fiéis para o culto de santos 'autorizados'.

Os santos 'populares', com raras exceções, tiveram mortes trágicas. Geralmente são falecimentos de elevado sofrimento... uma espécie de 'passaporte' com visto especial que os coloca em contato direto com Deus. E, além disso, as mortes trágicas limpam os mártires de todos os seus pecados.

De quebra, são santos 'locais', isto é, uma espécie de encarregados diretos, com menos serviço do que os santos ou virgens de alçada mundial. Dessa forma, o milagre solicitado deve - teoricamente - ser concedido (se for o caso) de forma mais rápida.

As lendas indicam que esses santos não oficiais possuem maior 'percepção social' do que seus congêneres europeus e compreendem melhor eventuais escorregões de seus fiéis, como roubar por necessidade.

Não seria adequado solicitar ajuda celestial a um santo como São Francisco, São Miguel, Santa Teresa ou as Virgens de Covadonga, Fuencisla ou Lourdes para ter sucesso em um eventual roubo com o qual poderá saciar a fome de sua família. Mas a pessoa em questão pode, sim, pedir ao Gauchito Gil um respaldo santificado nessa empreitada. No entanto, o Gauchito condenaria e puniria um roubo por cobiça. A Difunta Correa, por sua vez, além de ajudar as pessoas, castigaria aquelas que se comportam mal.

O culto a alguns santos 'populares', que no final do século XIX ou na primeira metade do século XX estava restrito a suas áreas originais de influência nas pequenas cidades do interior da Argentina, começou a expandir-se para as grandes cidades do país. Dessa forma, atualmente é comum ver taxistas com estampas do Gauchito Gil ou comerciantes com uma foto do altar de Gilda ao lado da caixa registradora. O Gauchito Gil conta até com grupo na rede social Facebook.

Entre os vários santos 'populares', estão também Vairoleto, em La Pampa e Mendoza; San La Muerte, em Corrientes e no Chaco; María Soledad, em Catamarca.

Ainda são alvos de adoração os cantores argentinos do estilo musical cumbia Gilda e Rodrigo Bueno. Ambos morreram em acidentes de automóvel (respectivamente em 1996 e 2000), quando viajavam nas estradas, de um show para outro.

E quem são eles? Deolinda Correa, mais conhecida como a Difunta Correa (A defunta Correa), era a mulher de um homem que foi obrigado a engajar-se em um dos exércitos que protagonizavam a miríade de guerras civis que assolavam a Argentina nas primeiras décadas do século XIX.

Deolinda tentou seguir a trilha dos soldados que haviam levado seu marido. Mas, carregando seu bebê nos braços, perdeu-se no meio de uma área desértica. Esgotada, sentou-se no chão e morreu de sede.

Dias depois, um grupo de gauchos  passou por ali. Os homens viram o corpo sem vida de Deolinda. E em seus braços - diz a lenda - estava seu bebê, que ainda mamava dos seios cheios de leite da mãe morta. A criança foi resgatada.

Gradualmente, os gauchos, que nos anos seguintes passavam pelo local, começaram a deixar garrafas d'água para saciar a eterna sede da Difunta Correa. No final do século XIX, a peregrinação até o lugar começou a ficar intensa. O fenômeno consolidou-se no século XX.

No início, ela era procurada para realizar milagres relacionados à saúde, além de proteger os viajantes. Mas, em meio à série de crises que afetaram a Argentina nas últimas décadas, a Difunta passou a ser requerida para outras áreas.

Antonio Mamerto Gil Núñez, que entrou para o panteão extraoficial dos santos argentinos com o nome de Gauchito Gil, era um jovem gaucho que - segundo a lenda - comportava-se como uma espécie de Robin Hood local, roubando dos ricos para dar dinheiro às pessoas que passavam fome. No entanto, as autoridades da região, na época, o consideravam um gaucho briguento e ladrão.

Era misto de bandoleiro e benfeitor foi recrutado pelo Exército com o início da Guerra do Paraguai (1865-1870). Gil fugiu e tornou-se desertor. Outras versões indicam que não desertou e que também participou de um guerra civil interna em sua província. No meio desse segundo conflito bélico, teria tido uma visão, enquanto dormia, do deus guarani Ñandeyara, que lhe ordenou 'não derramar sangue dos irmãos'. Nesta segunda versão, Gil teria desertado dessa guerra civil.

Após desertar, dedicou-se a uma vida de 'Robin Hood'. Nas pausas, aproveitava para participar de festas e bailes.

Anos depois, foi encontrado pela polícia. Não tentou resistir, obedecendo à ordem de Ñandeyara.

Depois de uma longa sessão de torturas no meio do campo, os policiais penduraram Gil em um algarrobo (uma árvore de madeira muito dura) de cabeça para baixo.

Um dos policiais ergueu o punhal e preparou-se para cortar o pescoço de Gil. Nesse instante, o gaucho murmurou: 'seu filho está muito doente. Se você rezar para ele, a criança viverá. Caso contrário, morrerá'.

Gil também teria dito que, quando o policial voltasse para o vilarejo de Mercedes, além de saber da doença do filho, também ficaria sabendo que as autoridades haviam indultado o foragido. 'Você vai derramar sangue inocente, por isso, reze para mim para que eu interceda perante Deus Nosso Senhor pela vida de seu filho... o sangue dos inocentes costuma servir para fazer milagres', disse o prisioneiro.

O policial ignorou as informações e o degolou. Poucas horas depois, de volta a seu vilarejo, o policial foi informado de que seu filho estava profundamente doente. Desesperado, o policial rezou a Gil para que salvasse a criança. Segundo a lenda, o executado desertor salvou o menino do além. Agradecido, o policial enterrou Gil com as correspondentes honrarias cristãs e ergueu um santuário para ele.

Assim, o culto ao santo 'popular' começou no dia seguinte à sua morte. E, de quebra, seu primeiro devoto foi o próprio verdugo. Mas, apesar de sua morte em 1874, seu culto só tornou-se nacionalmente intenso nos últimos 30 anos, por causas econômicas.

Diplomaticamente, perante o crescente culto ao Gauchito Gil, em 2006, Ricardo Faifer, bispo da cidade de Goya, perto de Mercedes, o definiu como 'um irmão falecido que, acreditamos, está perto do Criador'.

O santuário, nas vizinhanças da cidade de Mercedes, na província de Corrientes, é objeto de peregrinações permanentes, para irritação da cúpula da Igreja Católica, que considera que seu culto é 'pagão'. A data em que o Gauchito é mais intensamente celebrado é 8 de janeiro, dia que teria marcado seu sacrifício.

A peregrinação ao santuário do Gauchito Gil reúne em média 130 mil pessoas no dia desse santo. Essa marca, na Argentina, só é ultrapassada pela romaria realizada à Basílica de Itatí, onde está a imagem da Virgem de Itatí.

O Gauchito Gil é retratado como um gaucho jovem, de cabelos longos e rebeldes que caem sobre os ombros, bigode e boleadoras (armas feitas de corda, com duas bolas na ponta) nas mãos. Atrás dele, costuma aparecer uma cruz. Se não fosse pela ausência da barba (somente possui o bigode) e a vestimenta gauchesca (e as boleadoras), sua figura poderia ser confundida com a iconografia costumeira de Jesus Cristo.

Entre todos os santos 'populares', o culto do Gauchito Gil é o que mais teve repercussões artísticas, tanto em forma de canções, filmes, como peças de teatro, além de obras repentistas.

Há um santo muito festejado que não é local. Headhunter celestial, San Cayetano (São Caetano) é o santo com maior ibope entre os argentinos, já que sua especialidade é a de conseguir trabalho para os desempregados e manter o emprego daqueles que já o possuem. Especialidade, por sinal, utilíssima nas últimas décadas. Sua data é 7 de agosto, dia de peregrinar às paróquias que esse santo possui em diversas partes do país."

Fonte: PALACIOS, Ariel. Os argentinos. São Paulo: Contexto, 2013, p. 204-208.




sexta-feira, 29 de junho de 2018

Colonos russos em Pelotas


"- Refere o Correio Mercantil de Pelotas:

<<Ha doze dias que se acham n'esta cidade dez dos colonos russos que se evadiram para Jaguarão no intuito de passar para o Estado Oriental, deixando de cumprir os compromissos que estavam obrigados para com o governo imperial.

<<Detidos alli, foram remettidos pela autoridade policial para esta cidade e aqui estão accommodados em casa do Sr. Antonio Jacobs, fazendo despezas ao cofre geral do estado e a espera de ordens quanto ao destino que lhes esta reservado.

<<Isso porém é o menos. O peior é que esses infelizes deixaram em Jaguarão as esposas e os filhos!

<<Separaram os das familias e elles lamentam hoje mais do que nunca as suas desgraças.

<<Que será feito d'essas pobres crianças, d'essas mulheres sem o apoio de seus maridos e de seus paes!

<<E' realmente um quadro contristador o que offerecem esses colonos.

<<Esperando esperanças que ligassem á sua sorte aos que lhe são caros e até hoje d'elles nem noticia!

<<Nem mais um colono veio de Jaguarão, como se tinha noticiado.>>"

Fonte: O MONITOR (BA), 30 de Julho de 1878, pág. 03, col. 01

"Os colonos russos, que estavam presos em Pelotas, foram postos em liberdade por ordem do sr. chefe de policia da provincia do Rio-Grande. O fundamento para a soltura foi que aquelles presos estavam sobrecarregando os cofres publicos."

Fonte: DIARIO DO MARANHÃO (MA), 11 de Setembro de 1878, pág. 02, col. 03


quinta-feira, 28 de junho de 2018

A Nobreza Gaúcha - Parte 01


"Titulados Gaúchos durante o Império Proprietários de Estâncias

- Barão de Antonina
João da Silva Machado.

Nasceu em Taquari, RS, em 1782, e morreu em São Paulo em 1875.
Começou a vida como simples tropeiro, foi sargento-mór, administrador e dono de minas, conservador de estradas entre São Paulo e Rio Grande do Sul.
Abriu estradas, fundou cidades e a colônia de alemães do Rio Negro; promoveu aldeamentos de índios. Coronel honorário, comandante da Guarda Nacional e senador pelo Paraná, foi, ainda, sócio do Instituto Histórico-Geográfico e diretor da Siderúrgica de Ipanema, a primeira do Brasil, fundada por Dom João VI.
Recebeu o título, em 1843, de Dom Pedro II.

- Barão de Butuí
José Antônio Moreira.

Nasceu em Rio Pardo, RS, em 1806, e morreu em Pelotas, RS, em 1876.
Grande proprietário, libertou todos os seus escravos.
Benfeitor de muitas obras de caridade.
Recebeu o título, em 1873, de Dom Pedro II, por ter libertado seus escravos.

- Barão de Caí
Francisco Ferreira Porto.

Nasceu em Porto Alegre, RS. Segundo algumas fontes, nasceu em Santo Antônio da Patrulha, RS, em 1817, onde morreu em 1884.
Grande proprietário e grande comerciante, foi um dos fundadores da Associação Comercial de Porto Alegre.
Foi um dos maiores senhores de escravos do Rio Grande do Sul.
Recebeu o título, em 1870, de Dom Pedro II.

- Barão de Cambaí
Antonio Martins da Cruz Jobim.

Nasceu em Rio Pardo, RS, e morreu em São Gabriel, RS, em 1869.
Foi grande proprietário.
Recebeu o título, em 1859, de Dom Pedro II.

- Barão de Candiota
Luís Gonçalves das Chagas.

Nasceu em São Gabriel, RS, em 1824, e morreu em Pelotas, RS, em 1894.
Grande proprietário.
Recebeu o título, em 1875, de Dom Pedro II.

- Visconde de Cruz Alta
Joaquim Francisco Dutra Junior.

Nasceu em Porto Alegre, RS, em 1833, e morreu em 1901.
Grande proprietário e banqueiro.
Notabilizou-se pelas grandes contribuições a instituições filantrópicas.
Recebeu o título, em 1873, de Dom Luís I, Rei de Portugal.

- Marquês de Erval
Manuel Luís Osório.

Nasceu em Conceição do Arroio, hoje cidade de Osório, RS, em 1808, e morreu no Rio de Janeiro em 1879.
Seguiu a carreira militar, chegando a marechal em 1867.
Participou das lutas da época, destacando-se na Guerra do Paraguai, sendo ferido na Batalha do Avaí.
Foi senador pelo Rio Grande do Sul e ministro da guerra. Liderou o Partido Liberal, gozando de grande prestígio.
Junto com o Duque de Caxias foi o militar de maior influência dentro do Exército.
Seu monumento, no Rio, foi financiado pela população, estando cercado por canhões e lanças paraguaias.
Barão, em 1866, Visconde, em 1868, e Marquês em 1869. Títulos recebidos de Dom Pedro II.
Está sepultado no Parque Osório, na cidade de Osório, RS.

- Barão de Guaíba
Manuel Alves dos Reis Lousada.

Nasceu em 1784 e morreu em 1862.
Grande proprietário. Foi figura de destaque na sociedade gaúcha.
Não tem nenhum parentesco com o outro Barão de Guaíba.
Recebeu o título, em 1855, de Dom Pedro II.

- Barão de Ibirapuitã
Antonio Caetano Pereira.

Nasceu no Rio Grande do Sul, tendo morrido em Santana do Livramento em 1892.
Foi estancieiro e coronel da Guarda Nacional.
Recebeu o título, em 1879, de Dom Pedro II.

- Barão de Inhanduí
Joaquim Luís de Lima.

Grande fazendeiro e coronel da Guarda Nacional.
Recebeu o título, em 1884, de Dom Pedro II.

- Barão de Irapuã
José Luís Cardoso de Sales.

Nasceu em Minas Gerais, em 1815, e morreu no Rio de Janeiro em 1883.
Foi grande estancieiro. Durante a Guerra do Paraguai montou um excelente sistema de abastecimento para as tropas brasileiras.
Foi grande benfeitor de obras de assistência social.
Recebeu o título, em 1876, de Dom Pedro II.
Seu filho mais velho foi o Barão de Ibirá-Mirim.

- Barão de Itaquatiã
Boaventura José Gomes.

Grande estancieiro da região de Santana do Livramento, RS. Figura de destaque na sociedade da região.
Recebeu o título, em 1888, de Dom Pedro II."

Fonte: BELLOMO, Harry Rodrigues. A Nobreza Titulada Gaúcha. In: NEUBERGER, Lotário. RS no contexto do Brasil. Porto Alegre: CIPEL/EDIPLAT, 2000, p. 212-216

quarta-feira, 27 de junho de 2018

O Tesouro de Falkstrupp


"Descoberta. - Do Correio Mercantil, de Pelotas:

<<O Sr. Falkstrupp, allemão de origem e morador na Serra dos Tapes, proximo ao logar denominado Passo dos Baios, fazendo uma excavação no terreno que lhe pertence, afim de construir um açude, a trez metros e meio mais ou menos de profundidade, encontrou um corpo duro que ferido pela picareta produzia um som metalico. Procurando averiguar d'onde provinha semelhante som, depois de inauditos esforços conseguio por a descoberto uma enorme caixa de ferro, comida pela ferrugem e excessivamente pesada.

<<Como não pudesse levanta-la só, chamou seus tres filhos e mais pessoas da casa, e, auxiliado por elles, pôde transportar o cofre para casa, onde fez saltar a triplice fechadura que o guardava.

<<Depois de aberto, verificou que continha os seguintes objectos: uma armadura completa de aço finissimamente lavrado, com embutidos em ouro; um espadadero com bainha de ouro e copos do mesmo metal, guarnecida de pedras preciosas; uma belissima lampada de prata dourada cujo peso o sr. Falkstrupp avalia em mais de dez libras; quatro enormes techeiros do mesmo metal; e, finalmente, 1,617 moedas de ouro e prata de diversos valores, todas com effigie de Filippe III e de diversas datas.

<<O feliz descobridor estima seu thesouro em valor superior a reis 350:00$00, e attribuio aos jesuítas que, como se sabe, estiveram muito tempo estabelecidos na Serra dos Tapes e provavelmente enterraram aquelle cofre, como costumavam fazer a todas as suas riquezas, quando se viram obrigados a mudar de residencia.

<<Por algumas pequenas pedras lavradas e pedaços de madeira que já tem encontrado em seu terreno, o sr. Falkstrupp pensa que alli mesmo existio ha longos annos um convento de jesuitas.>>"

Fonte: CEARENSE (CE), 04 de Julho de 1883, pág. 02, col. 04-05


"Descoberta de um thesouro. - Referindo-se á armadura de aço e grande porção de moedas descobertas na Serra (Rio Grande do Sul) por um allemão alli morador, diz uma carta de Pelotas.

<<A noticia do Correio Mercantil de 6, sobre uma descoberta feita na Serra, causou aqui profunda impressão, como era natural. Todos admiravam a sorte do feliz allemão.

Recebendo depois pelo mesmo jornal, notícia de que o tal Falkstrupp se havia retirado com todos os seus do logar onde morava, sem que se pudesse saber que direcção tomou, ficamos de sobreaviso, pois não podia deixar de passar por aqui se tencionasse entrar na republica vizinha [nota nossa: Uruguay]. Realisou-se o que previamos.

Hontem a tarde aqui chegou o sr. Falkstrupp, com dous filhos moços e um peão, acompanhando uma carretinha dentro da qual iam sua mulher e duas filhas. Tendo o peão dito em uma casa de negocio que os viajantes que acompanhava eram os referidos allemães, emquanto estes faziam algumas compras, a polícia recebeu aviso, e creio que por pedido do collector, foi dar busca dentro da carretinha.

Encontraram ahi um bahú cuidadosamente fechado. Aberto pelo sr. Falkstrupp, depois de alguma resistencia, verificou-se que continha uma armadura de um dedicadissimo trabalho, uma espada com o punho emvejado de brilhantes e uma enorme lampada de prata.

Quanto ás moedas de que fallou o Mercantil,  nenhuma foi encontrada. O que se achou foi 20:831$200 em poder do mesmo Falkstrupp, sendo parte em papel-moeda e parte em sterlinas e condores.

Os objectos a que me referi foram levados á polícia e ahi se acham depositados, pois a autoridade competente declarou aos viajantes que d'aquelle achado, metade pertencia á fazenda nacional, pelo que mostraram uma sorpreza demasiadamente forte para se tomar como verdadeira.

Quanto ao dinheiro foi-lhes restituido, porque não se pode provar qual seja a sua origem e porque todos elles affirmam a uma só voz que é devido ao fructo de um acurado e economico trabalho.

E' opinião geralmente adoptada que esses individuos, antes de seguirem viagem, reduziram a moeda corrente todas as moedas que encontraram, bem como os demais objectos de prata, cuja descripção fez o Mercantil e transcreveram aqui todos os outros jornaes.

A familia do sr. Falkstrupp acha-se hospedade no Hotel Bageense, aguardando o resultado de todo esse negocio. Devem seguir viagem ao paiz visinho até o fim do mês."

Fonte: GAZETA DA BAHIA (BA), 11 de Julho de 1883, pág. 01, col. 06

segunda-feira, 25 de junho de 2018

I Semana do Poeta Leonense


Ocorre entre 02 e 06 de julho do corrente ano, a primeira edição da "Semana do Poeta Leonense", com várias atividades voltadas à valorização da poesia e literatura locais. 

Segue a programação:

De 02 a 06 de Julho - Exposição de Varais Poéticos
Locais: Casa de Cultura, Instituto Histórico e Geográfico do Capão do Leão, Câmara Municipal de Vereadores, Prefeitura Municipal, Banrisul - agência centro, Centro de Referência da Juventude (bairro Jardim América) e sede da ONG Semear (bairro Jardim América).

De 03 a 05 de Julho - Exposição de Obras de Poetas Leonenses
Local: Instituto Histórico e Geográfico do Capão do Leão (das 8h às 14h).

05 de Julho - Entrega da Comenda Florisbelo Garcia Barcellos à família do patrono.
Local: Câmara Municipal de Vereadores (10 horas).

05 de Julho - Inauguração da Pedra Fundamental em homenagem ao Dia do Poeta Leonense
Local: Instituto Histórico e Geográfico do Capão do Leão (15 horas).
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...