domingo, 20 de agosto de 2017

XIII Festa do Agricultor


O evento acontece no próximo domingo, 27 de Agosto, na localidade do Sítio Vasconcelos e inicia-se às 9 horas da manhã com programação variada até a noite. 

sábado, 19 de agosto de 2017

19 de Agosto - Dia do Historiador


O dia 19 de Agosto é do Dia Nacional do Historiador. A comemoração foi instituída em dezembro de 2009, pela Lei 12.130 e faz alusão ao nascimento de Joaquim Nabuco - político, diplomata, historiador, jurista, orador e jornalista brasileiro natural da cidade de Recife, capital de Pernambuco. Nabuco também se destacou como figura abolicionista e defensor da separação entre Igreja e Estado.

Parabéns a todos historiadores, acadêmicos ou não, mas que, sobretudo, são apaixonados pelo estudo do passado, pela investigação dos fatos e pela livre divulgação do conhecimento histórico.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

A origem dos imigrantes do Rio Grande do Sul


Fonte: NOGUEIRA, Arlinda Rocha & HUTTER, Lucy Maffei. A colonização em São Pedro do Rio Grande do Sul durante o Império (1824-1889). Porto Alegre: Garatuja/Instituto Estadual do Livro, 1975, p. 51-57.

"A PROCEDÊNCIA DOS COLONOS QUE SE ESTABELECERAM NA PROVÍNCIA

Entre os colonos europeus que contribuíram para o povoamento dos núcleos coloniais do Rio Grande do Sul, os de origem alemã, em muitos casos, foram numericamente superiores. Recebeu, porém, a Província a participação de elementos oriundos, inclusive, de outros continentes. Tomemos algumas colônias como exemplo.

Os primeiros cento e vinte seis imigrantes que desembarcaram na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul com destino aos núcleos coloniais eram todos de origem alemã. Além de dezessete solteiros, constavam do grupo vinte e seis famílias. Esses imigrantes estabeleceram-se na recém-criada colônia de São Leopoldo.

Com o passar dos anos, muitos colonos de São Leopoldo venderam as terras, já cultivadas, a imigrantes recém-chegados e partiram em busca de terras mais produtivas onde pudessem estabelecer-se. Isso explica por que os primeiros habitantes das colônias dos Conventos, da Estrela, e de Santa Maria da Boca do Monte, e parte dos de Santa Maria da Soledade residiram, anteriormente, em São Leopoldo. Vários colonos dirigiram-se, também, para Triunfo, Taquari e São Jerônimo, onde as terras eram boas e baratas, ao passo que em São Leopoldo além de escassas, atingiam em meados do século XIX preços muito elevados para a época. A colônia de Mundo Novo teve, também, a sua origem com os colonos vindos de São Leopoldo; esses vieram, em parte, das linhas mais antigas da colônia de São Leopoldo; outros eram imigrantes recém-chegados que, não encontrando acomodações na colônia, se dirigiram para a de Mundo Novo.

Os que se estabeleceram na colônia de Rincão d'el Rei eram na maioria pertencentes a famílias alemãs vindas de São Leopoldo.

A Serra de Hamburgo ou Cidade de Hamburgo era povoada, nos meados do século XIX, somente por alemães, o mesmo acontecendo nos recantos da serra e nos vales isolados da região.

Em 1859, a população de Santa Cruz compunha-se, na sua maioria, de alemães, sendo também expressivo o número de nacionais. Mas havia também ali, se bem que em número diminuto, argentinos, dinamarqueses, flamengos, franceses e portugueses.

Na mesma época, na colônia de Santo Ângelo, estavam estabelecidos colonos provenientes dos Reinos da Prússia, da Baviera, de Hanôver, da Saxônia; dos Grão-Ducados de Nassau, de Hesse, de Odenburg, de Baden; dos Ducados de Brunswick e de Holstein; do Principado de Schuarsburg; da França, da Holanda, da Bélgica, da Suíça, das Cidades Livres, além de colonos nacionais, em número apreciável. Aliás, sob este aspecto, Santo Ângelo se constituía numa exceção, na medida em que foi grande o número de famílias brasileiras que requereram a compra de lotes e ali se instalaram. Por volta de 1873, os nacionais passaram a liderar a lista dos que compunham a população na colônia.

Em 1867, Koseritz enviou a Santo Ângelo seis colonos norte-americanos, solteiros, e mais duas famílias alemãs, sendo que todos haviam vindo para a Província por conta do Governo Imperial. Os americanos, depois de terem recebido o donativo em dinheiro e os lotes a que tinham direito, fugiram da colônia, deixando as terras, as casas e as derrubadas já feitas. Os lotes abandonados ficaram à disposição do Governo Geral que, entretanto teve de indenizar por eles a Província.

Fato curioso, a que fazem alusão os relatórios presidenciais, e que muitos colonos do Governo Imperial se recusavam a seguir para as colônias sob administração desse Governo e tiveram que ser localizados em colônias provinciais, como as de Santo Ângelo, Nova Petrópolis e Monte Alverne...Para elas foram enviados, sobretudo os imigrantes naturais da Boêmia, que chegaram ao Brasil por volta de 1877. Também as colônias de Conde D'Eu e D. Isabel não foram povoadas por colonos provinciais e sim por colonos de Governo Imperial, que já não contava com terras para distribuir entre eles.

Muito embora os colonos que se estabeleceram na colônia de Santa Maria da Soledade fossem, até 1859, na sua grande maioria de origem alemã, havia ali também holandeses, nacionais, suíços, belgas e franceses. No mesmo ano contava a colônia de São Lourenço com mais de duzentos habitantes, dos quais apenas trinta e oito eram nacionais, sendo o restante de origem germânica.

Também foram alemães os primeiros habitantes da colônia de Torres. Algumas das famílias ali estabelecidas retiraram-se e deram início à colônia de Três Forquilhas. Cinco anos depois, entretanto, havia em Três Forquilhas predominância de nacionais, seguidos de alemães e de alguns portugueses. Em Mariante ocorria exatamente o contrário: a maior parte dos seus habitantes era alemã, sendo o número de brasileiros bem inferior.

A grande maioria dos habitantes da colônia de Nova Petrópolis, no ano de 1860, era originária dos Estados Alemães. Em número bem inferior havia ali também cinco norte-americanos. Por volta de 1876, uma das linhas da colônia estava quase inteiramente ocupada por colonos na maioria provenientes da Boêmia. Havia também italianos.

Os nacionais, em 1874, lideravam a lista dos colonos existentes em Monte Alverne, seguido de perto pelos alemães; eram bem menores as representações dos austríacos, dos holandeses, dos franceses e dos suíços. Em 1881, porém, os alemães ali residentes passaram à liderança com quinhentas e trinta e oito pessoas, seguidos por quatrocentos e vinte e cinco nacionais.

Até 1867, segundo afirmava Koseritz, os colonos alemães vindos para o Rio Grande do Sul eram, na sua maior parte, oriundos da Pomerânia e da Prússia Renana, sobretudo de um pequeno distrito denominado Hundssuech.

Vieram também para o Rio Grande do Sul, no mesmo ano, emigrantes dos Estados Unidos. De acordo com a procedência, a imigração norte-americana pode ser dividida em dois grupos: os dos estados do norte e os dos estados do sul. Até 1867, a totalidade dos americanos entrados na Província rio-grandense pertencia ao primeiro grupo, uma vez que haviam sido engajados por Quintino Bocayuva, em Nova York. Koseritz condenava francamente os americanos procedentes do norte, apontando, entre outras razões, o fato de promoverem os seus estados, das mais diversas maneiras, a imigração dos europeus para os seus territórios. Assim acreditava que, se dispendiam tantos esforços para atrair imigrantes para as suas terras, não poderiam liberar pessoas que reunissem boas qualidades. Na verdade eram poucos os norte-americanos natos entre os que, provenientes dos Estados Unidos, deram entrada na Província do Rio Grande do Sul. Eram realmente na sua maior parte irlandeses, franceses, ingleses, escoceses; e alguns alemães. A sua opinião, contudo, era totalmente outra no que dizia respeito à vinda de norte-americanos dos estados sulinos.

Por outro lado, na década de 70 começou a afluir à Província, em grande escala, a imigração de italianos vindos do Vale do Pó. Não só a zona rural mas também cidades industriais foram fontes fornecedoras de braços. Dentre os italianos, prevaleceram os procedentes do norte da Itália, isto é, os lombardos, os piemonteses, os tiroleses e, principalmente, os vênetos.

Com base em documentos expedidos pela Presidência da Província referentes aos núcleos coloniais Conde d'Eu e D.Isabel, foi levantada a hipótese de que a imigração italiana no Rio Grande do Sul teve início por volta de 1871, e não em 1875, segundo afirmam muitos autores.

Os imigrantes chegados à colônia D.Isabel inicialmente eram quase todos tiroleses. Aos poucos foram afluindo famílias procedentes de Vicenza, de Treviso, de Cremona, da Lombardia e de Mântua. Alguns meses antes dos tiroleses, chegaram à região quarenta e oito franceses e, na verdade, foram estes os primeiros a se estabelecerem ali.

Quando os primeiros colonos italianos chegaram à colônia Conde D'Eu, em 1875, encontraram algumas famílias suíças do cantão francês.

Por outro lado, em 1876, a população da colônia de São Feliciano era na maioria composta de franceses, sendo bem inferior o número de suíços, italianos, espanhóis, belgas e brasileiros. Em 1881, além desses, encontravam-se ali também alemães.

Os imigrantes que se estabeleceram na colônia Antônio Prado eram na sua quase totalidade de origem italiana. Os primeiros eram originários de Pádua, de Verona, de Mântua e do Tirol, e a eles seguiram-se outros grupos.

De início, para Nova Trento foram imigrantes oriundos do Tirol; para Nova Vicenza, os de Vicenza e Treviso; para Nova Prata seguiram não só italianos como também alguns poloneses; Encantado recebeu imigrantes de Vicenza e de Belluno; para Nova Milano foram, além de italianos, certo número de alemães.

Entre os colonos que se estabeleceram na colônia de Santa Maria da Boca do Monte havia cerca de quatrocentos russos que, todavia, no ano de 1878 abandonaram a colônia, seguindo para Porto Alegre. Temendo que deixassem o Império, antes de concluírem o pagamento dos seus débitos para com o Governo, o desembargador Francisco de Farias Lemos pediu providências à Inspetoria Especial para que isso não ocorresse.

Desde os meados do século XIX encontrava-se na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, certo número de irlandeses. Assim, data de aproximadamente 1852 a tentativa de colonização realizada pelo Coronel Thomaz José de Campos, de Pelotas, com algumas famílias irlandesas nas suas terras, ou mais precisamente, na serra dos Tapes, num lugar chamado Monte Bonito. Informava Koseritz em 1867 que, então, ocorria com a colônia D. Pedro II. Esta recebera, em 1852, quarenta e três famílias irlandesas. Entretanto, em 1859, permaneciam ali apenas dezesseis famílias, pois as demais haviam reemigrado, umas para Montevidéu, outras para Buenos Aires, outras para Pelotas ou, ainda, para Jaguarão. No ano seguinte, com a venda das terras, por causa do malogro da colônia, permaneceram ali apenas cinco famílias, na qualidade de arrendatárias. As outras onze famílias dirigiram-se para os municípios de Rio Grande e Pelotas.

Foi visando a atrair o maior número possível de imigrantes que não só os governos Imperial e Provincial - como também companhias e particulares - cederam ou venderam as suas terras aos colonos que vieram ter à Província rio-grandense, como veremos a seguir."






quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Pretérita Urbe - um interessante canal no YouTube


Eu acompanho e recomendo o canal Pretérita Urbe no YouTube, que traz interessantes vídeos antigos sobre a cidade de Pelotas, desde gravações raras até comerciais de TV. Para quem aprecie revisitar o passado pelo audiovisual, há verdadeiras preciosidades. Inscreva-se!

No vídeo acima, uma pequena descrição do canal, e abaixo, reproduzimos a descrição textual do canal:

O projeto Pretérita Urbe nativo do facebook, Idealizado no legado deixado por Nelson Nobre, teve sua concepção em 13 de julho de 2012. Possui o objetivo de popularizar a história local através da rememoração e extroversão de fatos pretéritos, seja por textos, vídeos ou fotografias. O projeto contribui para que a história de Pelotas seja conhecida por todo o mundo, principalmente por seus habitantes, sendo assim que o pelotense consiga formar o seus laços de pertencimento para com a identidade cultural de Pelotas. 
Envie sua foto e faça parte desta memória.

Página da Pretérita Urbe no facebook (também com muitas fotos): https://www.facebook.com/preteritaurbe/


Vídeo-chamada da I Feira Nacional do Doce (FENADOCE) de Pelotas, em 1986, um dos vídeos disponíveis no canal.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Histórias Curiosas LIV


Fonte: NERY, Sebastião. Folclore político, 2: mais 350 histórias. Rio de Janeiro: Record, 1976, p. 77.

"Antes de 1930, no Rio Grande do Sul, com voto a descoberto, eleições fraudulentas e referendo posterior pela Assembleia, os maragatos jamais ganhavam. Quando ganhavam, não levavam.

Houve uma eleição municipal em Dom Pedrito, os maragatos venceram. O negro Remião ficou enlouquecido de feliz:

- Estou tão satisfeito com essa vitória, que me dá vontade de agarrar esta faca, me matar, só para ir ao céu contar para o doutor Gaspar Silveira Martins que até que enfim ganhamos uma.

Uma semana depois, a Assembleia anula a eleição. O avô do deputado Oscar Fontoura foi lá levar a notícia: 

- Imaginem o que nos fizeram. Anularam tudo.

Negro Remião coçou a barba rala com a ponta da faca:

- Imagine o senhor se eu me percipito."

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A aldeia dos imigrantes alemães

Uma aldeia alemã do tipo "rundling"
Fonte: WEIMER, Günter. A arquitetura rural da imigração alemã. In: WEIMER, Günther (org.). A arquitetura no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1987, p. 95-99.

"Para entendermos o universo de problemas que o imigrante teve de enfrentar para construir sua casa ao chegar no Brasil, creio que devêssemos começar por fazer uma confrontação de sua cultura com a que viria encontrar na nova terra. Ainda que as duas culturas fossem de origem europeia, cada uma continha um universo de conceitos e concepções próprios que, se tinham alguns aspectos paralelos, em não poucos casos, eram diametralmente opostos.

Talvez o aspecto mais importante fosse a concepção de Estado. A forma como o mesmo se institucionalizou no Brasil, era de origem lusitana e se caracterizava por uma administração extremamente centralizada. Portugal passou a existir com o seu rei e a inexistência deste significou a perda da independência do país. A identificação entre monarca e nação também foi transferida para o Brasil, onde país, cultura e língua (para citar apenas três parâmetros) eram grandezas perfeitamente identificáveis e sobrepostas. Na Europa Central isto não aconteceu. Desde o início da fase histórica, esta região foi ocupada por diversas tribos com vários tipos de governo, de línguas e de cultura diferentes. Estes povos conviveram lado a lado onde eventuais domínios passageiros de um sobre outro não significaram aniquilamento de uma das partes. Enquanto Portugal era um só reino dizia-se que na Europa Central havia mil. Aí a unidade língua-cultura-nação se rompe e cada categoria passa a ter sua própria dimensão. Tanto isto é verdade que o conceito de nação só viria a se afirmar quando no Brasil estávamos às vésperas de formar uma república. Até hoje existem povos de língua alemã que jamais pertenceram à Alemanha da mesma forma como existem povos de cultura germânica que não falam o alemão.

Em consequência da centralização do poder, surgiram, em Portugal e no Brasil, grandes cidades polarizadoras de uma ampla região pouco povoada. Na Europa Central, ao contrário, havia-se constituído uma ocupação ganglionar com um grande número de pequenas cidades rodeadas por uma infinidade de pequenas aldeias. Se aqui o contraste cidade-interior é acentuado, lá a diferença é bastante atenuada. É claro que a infraestrutura de uma aldeia teria de ser menos diversificada que a de uma cidade. No entanto, a interpenetração de uma na outra era bem marcada. A cidade era, por assim dizer, uma aldeia em escala macro e a aldeia, uma microcidade. Esta origem imprimiu uma conformação diferente às cidades contemporâneas. Aqui temos uma alta densidade no 'centro', que decresce à medida que nos afastamos em direção aos bairros. Nossas cidades têm um aspecto de célula em que a importância das funções é inversamente proporcional à sua distância ao núcleo. Na Alemanha, a cidade tem o aspecto de uma colônia de células em que cada bairro evoluiu de uma antiga aldeia e que mantém uma vida relativamente independente. Aqui os arranha-céus estão no centro; lá, na periferia. Lá, ir ao centro significa ir à cidade histórica, à parte antiga; aqui os centros são constantemente modernizados, com edificações cada vez mais arrojadas.

Quanto à paisagem rural, a diferença não é menos flagrante. Portugal é um país quase árido, onde as raras árvores são as corticeiras e as oliveiras que se destinam à exploração econômica mais imediata. Este modelo foi transplantado para o Brasil. As extensas florestas existentes antes da descoberta foram tombando à medida em que se ia tomando posse da terra e, ainda hoje, assistimos uma desenfreada devastação da floresta amazônica. A Alemanha, apesar de seu enorme desenvolvimento industrial, hoje está coberta em 1/3 de seu território de florestas e a necessidade de se abater algumas centenas de árvores para a ampliação da pista de pouso de um aeroporto pode causar protestos violentos de uma população inconformada. Até o caráter destas florestas é peculiar: em sua maioria, são plantações de coníferas, cuja única utilidade é a exploração da madeira, cultivadas por engenheiros florestais que mais se aproximam de jardineiros que de politécnicos e onde é exercido um cuidado controle do número de exemplares das diversas espécies de animais nativos.

Ao tratar da arquitetura rural, é importante fazermos uma análise da forma física do aldeamento na época da emigração. Seu núcleo, a aldeia propriamente dita, era formada por casas próximas umas às outras, mas ao contrário das vilas lusitanas nunca eram geminadas. Cada casa tinha, nos fundos, uma horta onde eram cultivados legumes e verduras. Atrás desta, havia um pomar de árvores frutíferas. Em consequência desta disposição, o núcleo era rodeado por dois anéis de vegetação, um interno e baixo com outro alto, periférico.

A evolução formal destas aldeias era muito diversificada e variava de região para região. No contexto da arquitetura teuto-gaúcha, convém nos referirmos às tipologias dos três maiores centros de emigração para este Estado. O mais importante é o Hunsrück onde se institucionalizou a Haufendorf ou Punkdorf (aldeia- monte ou ponto) que se caracterizava pelo crescimento irregular do núcleo. É constituído por uma série de vielas curvas que se entrelaçam, formando espaços abertos sem definição geométrica rígida. Por isto são pitorescas e de perspectivas surpreendentes. Na Vestfália, que se caracteriza pelas grandes propriedades (cerca de 10 ha.), se desenvolveu a Strassendorf (aldeia-rua) em que as casas foram construídas ao longo de uma estrada. Este tipo tem uma variante, a Angerdorf (aldeia-logradouro) na qual a rua se transformou numa praça alongada onde, originalmente, era deixado o gado para o pernoite. Também é encontrado na Vestfália. Já na Pomerânia institucionalizou-se uma variante deste tipo na Rundling (arrendondada) que se caracteriza por ter uma praça circular ao redor da qual estão construídas as casas. Se diferencia do tipo anterior por não 'dar passagem' à circulação: tem um só acesso que é entrada e saída da aldeia.

Este núcleo está implantado no meio das terras cultivadas cuja área varia entre 300 e 500 ha. Em geral, as terras eram de propriedade comunal com seção de domínio e estavam divididas em faixas cultivadas longas e estreitas. Cada família dispunha de um certo número destas faixas onde se praticava uma cultura rotativa entremeada com períodos de pousio, quando eram transformadas em pastagens para os animais.

A terra era escassa. Enquanto na Vestfália, através de leis coercitivas de controle do crescimento populacional, a propriedade se manteve em torno de 10 ha., no Hünsruck 4/5 dos agricultores tinham menos de 5 ha. (onde 15% tinha menos de 0,5 ha). Na Pomerânia ainda vigorava o sistema feudal onde o agricultor não tinha posse da terra.

Essas condições eram de tal ordem que era impossível a sobrevivência da unidade familiar explorando exclusivamente a terra. Por isto foi sendo agregado um trabalho complementar com um vigoroso desenvolvimento do artesanato.

Neste sentido, a existência da floresta periférica à aldeia é duplamente importante. Se, por um lado, fornecia a madeira para o artesanato, atendia ao abastecimento de combustível vital para o aquecimento de homens e animais durante o longo inverno quando os termômetros podiam baixar a 40 graus centígrados negativos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

IHGPel promove programação alusiva ao Dia do Patrimônio


Na sexta-feira, 18 de Agosto, e no sábado, 19 de Agosto, o Instituto Histórico e Geográfico de Pelotas (IHGPel) promove programação alusiva ao Dia do Patrimônio Histórico. O evento acontecerá no prédio da antiga Estação Férrea de Pelotas e terá visitação aberta ao público nos dois dias, das 10h às 17h. No dia 18, ainda acontecerá a palestra proferida pelo Prof. Gilberto Demari Alves (presidente do IHGPel) com o tema "Caminhos de Ferro do Sul", das 17h às 18h30min. No sábado, em paralelo à visitação, também estará ocorrendo uma exposição de carros antigos no largo da estação.

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