quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Armazém Brasil: uma "nova" antiga área urbana em Capão do Leão


Armazém Brasil é a denominação popular que se dá à área urbana existente no município de Capão do Leão entre as rodovias BR-116 e BR-293. Todavia, "oficialmente" o Armazém Brasil nunca existiu, pois aquela área é topograficamente "bairro Jardim América", sendo uma continuidade da demarcação do bairro que surgiu em meados da década de 1950. Mas será que o Armazém Brasil não existe?

Pois penso justamente o contrário.

O bairro Jardim América quando foi projetado na 1a. metade da década de 1950 possuía um traçado aproximadamente oval, repleta de ruas curvas e avenidas igualmente radiais. Contudo, por volta de 1972, 1973, foi construído o prolongamento da rodovia federal BR-116, no trecho entre Pelotas e Jaguarão. A nova rodovia "cortou" o bairro aproximadamente ao meio. A metade meridional ficou com o tempo conhecida como "zona do Armazém Brasil" - em referência a um antigo e tradicional comércio que existia na região desde os seus primórdios (Saiba mais aqui: Bairro Jardim América - Parte XII).

Na década de 1980, para diferenciar as linhas de ônibus que atendiam o bairro Jardim América, sendo que uma especificamente atendia essa metade meridional do bairro, foi implementada a linha "Armazém Brasil", dado o fato do coletivo partir justamente no ponto defronte ao antigo comércio. Com o tempo, além desta diferença entre as linhas de transporte coletivo que atendiam o bairro, a zona do "Armazém Brasil" também passou a apresentar uma identidade própria, pois vários serviços públicos essenciais precisaram ser instalados ali. A rodovia BR-116 tornou-se uma fronteira natural entre as duas zonas. O próprio povo de um lado e de outro passou a denominar a região de "Armazém Brasil". 

De fato, a zona do Armazém Brasil, embora esteja ligada aquela parte que se denomina Jardim América, é uma zona com identidade própria. As estatísticas eleitorais, por exemplo, denotam muito esse aspecto através dos tempos, pois há um comportamento diferenciado entre uma e outra. Além disso, as demandas sociais embora sejam comuns às duas zonas (bem como a todo município de Capão do Leão), existe algumas demandas que são diferentes. A questão dos alagamentos é muito mais dramática no Armazém Brasil, por exemplo.

Por isso, acredito que o Armazém Brasil, por uma série de motivos sociais, urbanísticos, econômicos e políticos, é sim uma zona urbana diferenciada em Capão do Leão, que merece o reconhecimento por parte das instituições públicas como detentora desta condição. Enfim, uma "nova" e ao mesmo tempo antiga área do município de Capão do Leão.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Culto e Almoço na Congregação Cordeiro de Deus


Culto e Almoço do Departamento da Terceira Idade da Congregação Cordeiro de Deus (IELB - Igreja Evangélica Luterana do Brasil) se realizará no domingo, 18 de Setembro, a partir das 10 horas, em sua sede à Rua Castro Alves, 62, bairro Jardim América. 
Ingressos: R$ 15,00
Cardápio: Galeto, carne de porco, arroz e saladas

Comemorações do CXV Aniversário da Comunidade Católica Santa Tecla

Santa Tecla de Iconium

Programação das comemorações de Santa Tecla (padroeira do município de Capão do Leão)

14 de Setembro
19h30min - Animação litúrgica a cargo das comunidades Santa Tecla, Santa Clara de Assis, Santa Luzia e Senhor Ressuscitado

15 de Setembro
19h30min - Animação litúrgica a cargo das comunidades São José Operário, Santa Cecília, Divino Espírito Santo, Nossa Senhora de Guadalupe, Nossa Senhora de Lourdes e Nossa Senhora da Conceição

16 de Setembro
19h30min - Animação litúrgica a cargo das comunidades Santo Antônio, Todos os Santos, São Vicente de Paulo, Nossa Senhora da Consolação, Santa Rita de Cássia, São Francisco de Assis e Santa Cruz

18 de Setembro
12h - Almoço comemorativo (churrasco, galeto coxa e sobrecoxa, saladas) - Ingresso: R$ 20,00; menores de 07 a 13 anos pagam a metade.

Crédito destas informações: Diário Leonense

domingo, 11 de setembro de 2016

180 anos da Proclamação da República Rio-Grandense


Há 180 anos, no dia 11 de Setembro de 1836, o general farroupilha Antônio de Sousa Netto proclamou a República Rio-Grandense, exatamente um dia após vencer as tropas imperiais do general João da Silva Tavares na lendária Batalha do Seival. O embate aconteceu próximo ao arroio Seival, no campo dos Meneses, na região de Bagé. Apesar da diferença numérica, os farroupilhas impuseram uma importante derrota às forças imperiais.

Curiosamente, o ato de proclamar a república, oficializando a separação da Província de São Pedro do Rio Grande do Império do Brasil, foi interpretado por outros generais farroupilhas como um ato precipitado do Gal. Netto. Embora, de acordo com os historiadores da Revolução Farroupilha, o próprio Netto também era receoso inicialmente sobre a ideia da separação. Foi após a vitória, durante à noite no acampamento, ainda no dia 10 de Setembro, no encontro dos líderes farroupilhas que tinham vencido a batalha do Seival, com influência decisiva de Manoel Lucas de Oliveira e Joaquim Pedro Soares, que  se convenceu Netto a aderir finalmente à causa. No alvorecer do dia 11 de Setembro, com o exército reunido, Netto foi aclamado general-em-chefe e, em seguida, proclamou-se a República Rio-Grandense, em meio a vivas e aplausos.

A divulgação do Ideb não surpreende a um professor


Na última quinta-feira, 08 de Setembro, o MEC (Ministério da Educação) apresentou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referente ao ano de 2015. Somente nas séries iniciais do ensino fundamental houve melhora e superação da meta prevista com índice de 5,5 (a meta era de 5,2). Nas séries finais do ensino fundamental e no ensino médio, entretanto, o quadro é de estagnação desde 2011. Nas séries finais do fundamental o índice apresentado é de 4,5, abaixo da meta de 4,7 e, no ensino médio a média segue estagnada desde 2011 com 3,7, mais abaixo ainda da meta proposta de 4,3. A reação do ministro da Educação, Mendonça Filho, é de preocupação com os resultados e o ministro aponta a necessidade de uma reformulação que traga "flexibilização e enxugamento curricular". 

Sinceramente, enquanto professor que já transitou nestes meus treze anos de profissão desde o sexto ano fundamental ao terceiro ano do ensino médio, com passagens também em cursos preparatórios, não me surpreende os resultados apresentados e recebo com certa ironia o sensacionalismo criado em torno do fato. Posso criticar o salário pago aos profissionais de educação, a falta de estrutura adequada das escolas, os métodos de ensino, etc. e etc., mas me reservo o direito de não fazer isso no momento e apontar uma indagação que compartilho com vários colegas professores (que também concordam comigo): até que ponto o sistema está preocupado em se aperfeiçoar?

Faço esta pergunta porque entendo que o próprio sistema educacional brasileiro está preocupado primeiramente em estatística e muito pouco comprometido em qualidade. Podemos inserir a valorização dos professores e o investimento na estrutura básica como fatores também preponderantes, certamente. Todavia, partindo da realidade da escola brasileira, deixando de lado por ora estas questões tão cruciais, o que me incomoda é que o sistema burla as próprias regras que o sistema estabelece. E isso é um fenômeno universal que rege tanto a rede pública (dos municípios e estados) quanto a rede particular (na maioria das vezes, inegavelmente também). Talvez se salve a rede federal que é diminuta e direcionada ao ensino técnico e profissionalizante. Ao menos, tenho esta impressão. Mas vamos ao ponto que quero explicitar: a escola brasileira em sua maioria sofre a pressão por resultados quantitativos mais do que resultados qualitativos. E vários agentes públicos corroboram para este processo.  O que me incomoda não é o pressuposto que a escola tenha que fazer o máximo possível para que o estudante avança, evolua (isso vale para a escola particular, também!), mas que isto é feito de forma corrupta, errada.

Continua...

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A culpa é da bebida! - Show com Fred e Hiago Rockembach + Dj Igor Valério no Alkimia Espaço Cultural


Neste sábado, 10 de Setembro, a partir das 23h30min no Alkimia Espaço Cultural. Ingressos masculinos: R$ 10,00. Ingressos femininos: livre até 01h da madrugada, após R$ 10,00. Mais informações na página do evento no facebook: https://www.facebook.com/events/191710574575556/ 


Histórias de Vida II

Entrevista com o Sra. Neli Xavier
Realizada pelo autor em 10-11-2007
Referência: Bairro Jardim América

            “Mora no bairro desde 1976, nascera na ‘Campanha’ (Passo das Pedras) e antes morou por cerca de 30 anos no IPEAS. Ela e o esposo já falecido – Sr. Camilinho – vieram para o bairro para possuir casa própria. Hoje, do terreno que adquiriram, parte está com os filhos que casaram e também ergueram suas casas.
Sempre encontrou muita dificuldade no bairro, atualmente vive doente e acamada. Quando chegou não havia água ou luz e a casa não tinha reboco. O esposo era funcionário do IPEAS. Quando houve mudança para Embrapa, esposo foi colocado para trabalhar no celeiro. Acabou não aceitando ficar na nova função. Depois trabalhou no Anglo, no Rio-Pel e no setor de fiscalização do Extemo-Sul.
Diz que sabe muito pouco, pois os vizinhos eram mais da própria família. Produziu doces caseiros quando morava no IPEAS, depois com o tempo e as dificuldades (obs.: reforça aspecto da doença), deixando de fazê-los. Reintera que o Sr. Luiz Fernando Silva (vereador) acompanhou muito história da família. Lembra também que teve (ela) que cuidar uma filha deficiente.
A Sra. Neli coloca que se criou na agricultura, desde os oito anos de idade. Seus irmãos já faleceram, porém sobrinhas moram no bairro.
De comércios, recorda da venda do falecido Sr. Antônio (atual Loja Silva) e da venda do falecido Sr. Otílio (do ‘outro lado’). Afirma que eram ‘vendas para vizinhos’. Não constituíram estabelecimentos fortes, porém locais com produtos básicos e limitados. Acredita que o morador mais antigo da rua seja o Sr. Maurílio de Oliveira (que lhe dá o nome). Lá na estrada (atual Avenida Três de Maio) havia uma torneira, na qual se conseguia pegar água só de manhã cedo. Depois, no outro lado da vila (arredores da atual Escola Elmar Costa) tinha outra bica. A família conseguiu, posteriormente, construir um poço. Bem mais tarde, chegou a água encanada. Atendimento médico só em Pelotas.
Foi sócia da Comunidade Católica São José Operário e é da Canção Nova, na qual encontra um forte apoio pessoal. Começou a freqüentar a Igreja São José Operário quando esta foi inaugurada, pois antes participavam da comunidade católica da Embrapa. Atualmente, uma religiosa franciscana visita-lhe.
Quanto á criminalidade, comunica que logo que vieram tinham uma vaca e um bezerro. Entretanto, roubaram a vaca, que era um animal que auxiliava no sustento da família. Um tempo depois atacaram e mataram uns leitões que a família criava.
Fala que todos os moradores que conhecia tinham um ‘pouquinho’, pelo menos emprego garantido. Neste lote, por exemplo, os irmãos também moram. Informa que quando veio para o bairro, o esposo comprou o terreno da Família Nogueira. Deram entrada e depois foram pagando prestações. Deixaram um ‘lugarzinho’ para todos os oito filhos. Apesar que filhos ganham muito pouco e a vidraçaria da família pouco rende. Complementa que os lotes são pagos na Prefeitura Municipal do Capão do Leão.”
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